Sete guitarristas da nova geração brasileira que você precisa conhecer (Parte 1)
A guitarra brasileira está passando por um interessante processo de renovação. Ao mesmo tempo que nomes consagrados continuam influenciando milhares de músicos, uma nova geração começa a conquistar espaço por meio de trabalhos autorais, grandes turnês, projetos instrumentais e conteúdos publicados nas plataformas digitais. Atualmente, um guitarrista não depende exclusivamente de uma gravadora ou de uma banda famosa para apresentar seu trabalho. Vídeos, apresentações independentes, aulas on-line e redes sociais se transformaram em importantes vitrines para novos talentos. Os músicos desta lista representam diferentes caminhos da guitarra contemporânea. Encontramos influências de heavy metal, rock progressivo, fusion, blues, música instrumental e até performances urbanas. A seleção não é um ranking, mas um convite para conhecer alguns dos guitarristas brasileiros que estão construindo carreiras relevantes na atualidade.


1. Luis Kalil
Luis Kalil é um dos nomes brasileiros que vêm chamando a atenção no cenário internacional da guitarra virtuosa. Seu estilo apresenta forte influência do heavy metal, do rock instrumental e da linguagem conhecida como shred, caracterizada por solos rápidos, precisão técnica e uso avançado de escalas e arpejos.
Integrante da banda Red Devil Vortex, Luis desenvolve uma carreira que combina apresentações, composições, vídeos e trabalhos voltados ao público da guitarra. Apesar da velocidade impressionante, sua proposta não está limitada à demonstração técnica. Seus solos também procuram transmitir intensidade, emoção e construção melódica.
Em 2026, ganhou destaque na imprensa especializada ao falar sobre a experiência de conhecer e tocar pessoalmente para Jason Becker, uma das maiores referências da guitarra instrumental. Segundo Luis, a principal lição recebida de Becker foi compreender que a música precisa provocar sentimentos, independentemente da quantidade ou da velocidade das notas. Leia a reportagem da Guitar World.
Luis Kalil representa uma nova geração de guitarristas brasileiros preparada para dialogar diretamente com o cenário mundial do rock e do metal.


2. Lucas Moscardini
Lucas Moscardini se destaca pela união de guitarra progressiva, ritmos brasileiros, produção musical e tecnologia. Sua maneira de tocar combina riffs pesados, passagens rítmicas complexas, melodias e elementos latinos.
Um dos trabalhos que ajudaram a projetar seu nome foi a participação no Vitalism, grupo brasileiro conhecido por misturar metal progressivo instrumental com influências culturais brasileiras. A música “Favela” tornou-se uma importante referência dessa proposta.
Lucas também atua como produtor, educador e criador de conteúdos voltados a timbres, gravações e técnicas de guitarra. Seu trabalho conversa diretamente com o guitarrista moderno, que precisa compreender não somente o instrumento, mas também produção, efeitos digitais e construção de uma identidade sonora.
A plataforma internacional JTC Guitar apresentou Moscardini como um músico capaz de combinar influências latinas, riffs progressivos e linguagem instrumental contemporânea. Conheça o trabalho de Lucas Moscardini.


3. Yohan Kisser
Filho de Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, Yohan Kisser cresceu cercado por música, mas vem trabalhando para construir sua própria identidade artística.
Nascido em 1997, começou na bateria e posteriormente passou para a guitarra. Além do instrumento, atua como cantor, compositor e multi-instrumentista. Também possui formação em violão pelo Conservatório da Fundação das Artes de São Caetano do Sul.
Yohan participou do Kisser Clan ao lado de seu pai e também integrou a banda Sioux 66. Em 2024, lançou seu primeiro álbum solo, “The Rivals Are Fed and Rested”, ampliando sua presença como compositor e artista principal.
Seu trabalho apresenta influências de rock, metal e música alternativa, mas procura fugir da simples comparação com a trajetória de Andreas Kisser. Yohan demonstra que carregar um sobrenome conhecido pode abrir algumas portas, porém construir uma carreira sólida exige estudo, repertório, personalidade e produção própria. Conheça a trajetória oficial de Yohan Kisser.


4. Tainá Bergamaschi
Tainá Bergamaschi é um dos principais nomes femininos da nova geração do metal brasileiro. Guitarrista da Crypta, participa de uma das bandas brasileiras de death metal com maior alcance internacional na atualidade.
Seu trabalho exige precisão rítmica, resistência, peso e domínio técnico. Na Crypta, Tainá contribui para uma sonoridade agressiva, marcada por riffs intensos e influências do death metal tradicional.
Com a banda, participou de discos como “Echoes of the Soul” e “Shades of Sorrow”, além de apresentações e turnês em diversos países. Sua atuação ajudou a ampliar a presença das guitarristas brasileiras dentro de um mercado historicamente dominado por homens.
O reconhecimento também chegou ao setor de equipamentos: Tainá recebeu seu primeiro modelo de guitarra signature desenvolvido pela Solar Guitars. Conheça seu perfil na Solar Guitars.
Mais do que executar riffs pesados, Tainá representa profissionalismo, presença de palco e uma importante renovação dentro do metal nacional.


5. Helena Nagagata
Helena Nagagata é guitarrista, compositora, multi-instrumentista e pesquisadora musical. Sua trajetória combina conhecimento acadêmico, produção autoral e participação em projetos importantes do rock e do metal brasileiro.
Ela ganhou maior visibilidade ao participar do Shamangra, projeto que reuniu músicos ligados às bandas Angra e Shaman. Nessa formação, dividiu o palco com nomes experientes como Luis Mariutti, Hugo Mariutti, Aquiles Priester e Thiago Bianchi.
Em 2024, iniciou uma nova fase autoral com trabalhos instrumentais como “Starlust”. No ano seguinte, foi convidada para acompanhar a Crypta em uma turnê europeia, assumindo uma posição de grande responsabilidade dentro da banda.
Sua formação acadêmica e sua experiência prática demonstram que técnica, pesquisa e criatividade podem caminhar juntas. Helena representa um perfil de instrumentista completo, capaz de atuar em shows, gravações, composições e projetos educacionais. Leia sobre sua participação na turnê da Crypta.


6. Jéssica Falchi
Jéssica Falchi ganhou projeção internacional durante sua passagem pela Crypta. Com a banda, participou de turnês, apresentações em grandes festivais e da gravação do álbum “Shades of Sorrow”.
Sua execução reúne técnica refinada, peso e forte presença de palco. Antes da Crypta, Jéssica já possuía experiência profissional e havia participado de projetos tributo dedicados a bandas como Metallica e Iron Maiden.
Após deixar a Crypta em 2025, iniciou uma nova etapa voltada à construção de sua própria identidade. Em 2026, apresentou o projeto solo Falchi e lançou o EP “Solace”, mostrando uma expressão musical mais pessoal.
Essa transição demonstra coragem artística. Sair de uma banda em evidência para desenvolver um projeto independente envolve riscos, mas também oferece liberdade para explorar outras influências e ideias. Conheça a nova fase de Jéssica Falchi.


7. Andryel Jung
Andryel Jung representa outra realidade da nova geração: o músico que utiliza apresentações urbanas e redes sociais para alcançar um público internacional.
Brasileiro residente em Sydney, na Austrália, ele ganhou visibilidade publicando vídeos de suas performances de rua. Seu repertório e sua maneira de tocar apresentam influências de rock clássico, blues e country rock.
Os vídeos chamam atenção pela energia, pelo contato direto com o público e pela capacidade de transformar espaços urbanos em verdadeiros palcos. Algumas dessas apresentações conquistaram milhões de visualizações nas plataformas digitais.
A trajetória de Andryel mostra que o mercado atual oferece caminhos diferentes para quem deseja viver de música. Além de palcos tradicionais, existem oportunidades em eventos, produções independentes, apresentações públicas e conteúdos digitais.
Seu crescimento também reforça uma característica importante da guitarra: mesmo com toda a tecnologia disponível, uma boa interpretação ao vivo ainda possui força para parar pessoas na rua e criar conexões verdadeiras.


O que diferencia essa nova geração?
Os novos guitarristas brasileiros não estão apenas aprendendo técnicas instrumentais. Eles também estudam produção musical, gravação, edição de vídeo, divulgação, criação de conteúdo e posicionamento profissional.
Entre suas principais características estão:
domínio de diferentes estilos;
utilização de equipamentos digitais;
produção de músicas e vídeos independentes;
presença constante nas redes sociais;
desenvolvimento de projetos autorais;
preocupação com identidade visual e sonora;
contato direto com o público;
atuação simultânea como músico, professor e produtor.
Isso não significa que a formação tradicional perdeu importância. Pelo contrário: teoria, harmonia, improvisação, percepção musical e prática em conjunto continuam fundamentais. A diferença é que o músico contemporâneo precisa agregar novas habilidades à sua formação.
A internet como palco para novos guitarristas
Durante muitos anos, um guitarrista precisava integrar uma banda conhecida ou conquistar espaço em uma gravadora para alcançar um grande público. Hoje, uma apresentação gravada com qualidade pode atravessar fronteiras em poucas horas.
Plataformas como YouTube, Instagram e TikTok ajudaram a aproximar músicos, fabricantes de equipamentos, produtores e admiradores da guitarra. Entretanto, publicar muitos vídeos não é suficiente. Para se destacar, é necessário apresentar personalidade, consistência e qualidade.
A internet pode abrir uma porta, mas é o trabalho artístico que mantém essa porta aberta.
Conclusão
A nova geração da guitarra brasileira demonstra que o instrumento continua vivo e em transformação. Luis Kalil, Lucas Moscardini, Yohan Kisser, Tainá Bergamaschi, Helena Nagagata, Jéssica Falchi e Andryel Jung representam caminhos diferentes dentro do mercado musical.
Alguns conquistaram espaço em bandas de projeção internacional. Outros investiram em trabalhos instrumentais, carreiras independentes ou apresentações que se tornaram populares nas redes sociais.
Todos mostram que a construção de uma carreira depende de muito mais do que tocar rápido. É necessário estudar, criar, produzir, comunicar e, principalmente, desenvolver uma voz própria.
O Brasil continua sendo uma grande fábrica de talentos. Em escolas, igrejas, estúdios, festivais e projetos culturais, novos guitarristas estão se preparando para ocupar os palcos do futuro.
Qual novo guitarrista brasileiro você acredita que merece entrar nesta lista?
